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A Coisa
A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.
Mário Quintana
Estou de volta... demorou mas retornei, faculdade, trabalho, sabem como é.
Volto com a ótima companhia de Mário Quintana.
:(
Foi triste quando partiu.
Voltou mais triste ainda.
E assim que acontece, a tristeza nos persegue.
Nada de romance
- Adivinha o que eu tenho por debaixo da saia!
Silêncio.
- N-A-D-A! - e sorriu aquele sorrisinho safado que só ela sabe fazer.
- Como você é distraída amor.
Naquela noite ele foi dormir na sala.
resumo de tudo o que a gente faz...
comer, falar, cantar, andar, correr, cair, levantar, madrugar, dormir, descansar, saltitar, conversar, ouvir, pensar, vestir, sair, dançar, beijar, abraçar, olhar, sentir, esconder, achar, trabalhar, voltar, estudar, viver, morrer.
Votem!

Essa camiseta foi o Everson que fez. E ela está participando do concurso do site Camiseteria.
Se você gostou, vote nela!
Frase da semana
"Love is like pi - natural, irrational, and very important."
Quase famosos!
A Janaina, prima da Fla, fez uma reportagem sobre blog's, e eu estou lá!
Visitem: http://www.cruzeironet.com.br/run/33/215029.shl
PS: a idade está errada :(
Na verdade tenho 22 aninhos só :)
foi dada a largada
Lu e mais gente, agradeço o convívio de todos aqui mas, cansado de ser confundido com minha amiga, e também por querer cultivar autonomia estilística, tive uma nova idéia e decidi:
criei um b’log pra mim.
Quem quiser visitar, está em www.oniros.com.br
Posso até postar de vez em quando por aqui mas, em geral, passo a escrever por lá mesmo. Sem mil delongas, até mais!
Faz de conta
Faz de conta que eu sou uma princesa e...
Ei, eu também quero ser princesa!
Então tá, faz de conta que nós duas somos princesas, daí...
E o principe? História de princesa sempre tem um principe!
Então, nós somos duas princesas e temos que salvar o principe está preso na torre do castelo da bruxa má, e...
Mas isso está errado! O principe tem que salvar as princesas, não o contrário.
Ei, eu que to fazendo a história!
Tudo bem...
Faz de conta que somos duas princesas e precisamos salvar o principe antes que a bruxa transforme-o em um dragão gordo e feio, daí...
Não gostei.
Ah quer saber, cansei de brincar de faz de conta!
E as duas florzinhas foram dormir.
escatofania
Tudo o que dEus digeriu, em seu lancinate e fugaz apetite, puxou todo o resto junto, pois sEus dentes mastigavam a essência estrutural de todos os universos imersos. Goela abaixo caiu, passou por um sistema anatômico tão complexo em relação ao nosso quanto somos em comparação às amebas, só que numa proporção elevada à potência de um milhão. E foi-se o tempo junto, foi-se a passagem, foi-se o paraíso, foi-se qualquer reclamação ou elogio que pudessem ser feitos, e foi-se a inerência coesa. Houve um só arroto. Então, silêncio. E, sem necessidade de um reservado, a excressência deu-se ali mesmo: livre de sEus intestinos, flúidos e desintempéries ornadas, espalhou-se imenso, cada vez mais, infalível, infinito, inapreciável. Depois do resto do tempo que começou sabemos, sendo nós parte daquilo que não pôde ser aproveitado. Olhamos de volta, de tão longe, para sEu ânus apinhado de fuligem cósmica e astros desgarrados da fauna do plasma mais puro, e oramos por uma boa e tranqüila decomposição. Amém.
Velha
Certamente isso era o que deveria ser feito.
Olhou para o céu e viu as estrelas, a lua. Sentia o vento em seu rosto.
Sentia o cheiro da noite.
Não enxergava mais. Já era velha, chamavam-na de Velha.
Seus joelhos não agüentavam o peso do corpo, precisava do auxilio de uma bengala para caminhar, ou mesmo ficar em pé.
Com certeza era isso mesmo que iria fazer.
Naquela noite ela não dormiu na sua cama, a cama da Velha.
Agora ela enxergava.
Agora não precisava mais da bengala.
Agora não era mais a Velha.
Era novamente a criança pequena e ingênua.
Magrinha, cabelos escuros e longos.
Era novamente a criança que gostava de brincar.
Foi o último suspiro da Velha antes da metamorfose.
(In)verso
Quando me mataram a primeira vez, eu perdi o sentido da vida.
Renasci das cinzas, abri as asas e sai voando por aí.
Acontece que me mataram novamente.
Fiquei muito tempo perdida na escuridão, andando de um lado para o outro sem ter objetivo nenhum.
Não sabia onde deveria chegar.
Mas consegui me levantar.
Voei mais alto, onde ninguém conseguiu me alcançar!
Despertar
Tudo amarelo. Nada fazia sentido.
Sentia pena, às vezes sentia asco.
De repente as cores começaram a mudar.
O vermelho e o verde começaram a aparecer.
Os olhos se fecharam, não gostava de cores.
Estava acostumada com o amarelo, coisas diferentes faziam seus olhos arder.
Cada um por si, pensava.
Danem-se todos.
E pintou tudo de amarelo de novo.
Era melhor assim.
quando acordei
E junto quando eu acordei, pensei: há poucos momentos como este. O passo seguinte já foi o esquecimento. Simples assim, com a convicção de que o que acontece com mais freqüência é o esquecimento deste segundo, do momento em que me dou conta que houve algo que já não há.
Dizem que as pessoas sonham. Dizem que o fazem todos os dias, mesmo que não lembrem. E, pasmem, há quem diga inclusive que sonhamos durante o dia, quando estamos acordados, e que este é nosso estado natural, continuamente. Há povos que consideram que os sonhos são mais reais do que o mundo onde estão; há outros que até matam em nome deles.
Gostaria de sonhar, um dia desses. Não precisava ser nada especial, apenas uma imagenzinha, só para dizer que esteve lá. Por outro lado, não me faz falta, não creio que pudesse pesar nas minhas decisões ou alterasse meus conflitos. Nem me lembro, a maior parte do tempo, que não os tenho; quando ouço a palavra "sonho", logo me vem a imagem da minha avó trazendo, da padaria, sua cesta de pães e sonhos fofinhos e quentinhos.
Quando vi o filme de Hitchkok (sei que não é assim que se escreve), logo vi que não devia ser aquilo. Se sonhos fossem como um teatro com figurinos de Dali, nossa civilização não teria durado tanto tempo.
O tempo
Quem poderia pensar... Escrever sobre o tempo é um "baita" chavão. Me parece quase inútil, mas ao mesmo tempo inevitável: em certo momento, acabamos chegando a isso. É um daqueles temas que servem para testar o estilo de um escritor (no sentido amplo da palavra, somos todos escritores); o modo como escrevemos sobre o tempo define quem somos.
Dizem que o tempo passa mais rápido quando estamos nos divertindo... Parece ser verdade, pelo que tenho vivido e ouvido falar. Se for assim, fiquei pensando em como o tempo foi inventado... Quero dizer, se tivéssemos satisfação absoluta, não haveria tempo, tudo seria um instante num lampejo, um não-tempo que não passa, que simplesmente é. Então, como foi no início dos tempos? Será que nós seres humanos começamos a ver o tempo passar somente quando o sofrimento se tornou um problema? Quando nos demos conta a morte? Diz o poeta: "toda a dor vem do desejo de não sentir dor". Os aborígenes australianos falam do "tempo dos sonhos"; será isto?
E dizem que o tempo passa mais devagar na infância, onde tudo é novidade e absorve a atenção. Mas fica difícil saber, porque as crianças não podem falar sobre isso, visto que nem têm uma noção coerente de tempo, por estarem ocupadas demais com coisas mais sérias, como o brincar, a imaginação, a curiosidade e a liberdade.
Dizem também que, hoje em dia (não especificando desde que dia exatamente), o tempo vem passando mais depressa. Isso vem junto com aquelas outras questões de mudança de tempo no sentido do clima -- que hoje faz mais calor por causa da camada de ozônio falhando e do microclima urbano descontrolado -- e também na cultura -- que há muita informação na mídia e mesmo em nossas conversas, que as descobertas tecnológicas (principalmente na computação) vão numa correria, que temos que trabalhar e estudar cada vez mais -- enfim, que tudo está acelerado. Mas pode ser que esta é a perspectiva dos adultos de hoje falando o que seus avós não tinham coragem ou paciência ou despudor de dizer, que achavam o tempo da (sua) infância muito mais lento.
Seguindo esta lógica, as crianças não se divertiriam, o que não faz sentido. Porque, se o tempo delas é mais lento, seria por ser menos divertido. Bom, vocês já viram uma criança que não quisesse ser logo um adulto? É mais ou menos o mesmo quando iniciamos alguma coisa, alguma tarefa, estágio, ciclo: queremos logo ver o resultado, chegar ao final, e isso faz do percurso um vagar enorme e arrastado... Talvez por isso, por ter simultaneamente motivos para acelerar (diversão) e desacelerar (impaciência) o tempo, a mente das crianças acabe chegando a conclusão de que o tempo nem existe.
Quando penso no ano inteiro que passou (2005), até me ocorre mesmo que o tempo está passando muito depressa. Parece que "não deu tempo" de fazer muita coisa ou, ao menos, tudo que eu gostaria. Entretanto, quando penso em cada coisa que aconteceu ou, pelo menos, nas coisas todas que me recordo, vejo claramente que não -- que foi sim um tempão, que "um ano" é até um nome pequeno para tudo que coube dentro dele.
Talvez seja apenas uma questão dos referenciais que escolhemos usar. Quando temos os ponteiros do relógios para apoiar nossos argumentos, fica fácil, não há melhor advogado; porém, quando temos outros critérios em jogo, temos que nos esforçar, "perder" tempo com o problema. De qualquer modo, no final, todo tempo acaba, e as marcas dele que restam noutros tempos não são mais que uma breve legenda do tempo enquanto estava vivo e acontecendo.
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PS: Só escrevi isto aqui por estar com um tempo livre. Mas, assim que terminei, tive a nítida impressão de já ter falado sobre este tema num Blog antes.
Hoje tem bolo!

Hoje é aniversário de uma pessoa muito especial pra mim!
Está ficando velho hein amor!!!!
(brincadeirinha!)
Fiz um bolo pra ti... do jeitinho que tu gosta heheheh
Te amo!
Arte de ser feliz
Hoje encontrei esse conto da Cecília Meireles e gostei bastante. Espero que gostem também. Cecília Meireles
Houve um tempo em que a minha janela se abria para o chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dia límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achavaessa ilusão maravilhosa, e sentia-me completamente feliz.
Houve um tempo em que minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém minha alma ficava completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela se abria para um terreiro, onde um vasta mangueira alargava sua copa redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, e às vezes faziam com as mão arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela se abri sobre uma cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. Era numa época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão uma gota de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros, e meu coração ficava completamente feliz.
As vezes abro a janela e encontro o jasmim, em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com os pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho doar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Veja. Às vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
Anjo
Com as suas asas longas e brancas, era possível voar por toda a Terra.
Sentia o vento no seu rosto, sentia a energia da natureza.
Mas ainda não sabia o motivo da criação daquilo tudo, apesar de bela, a natureza era cruel.
E ele caiu.
" No meio da paisagem árida, no rastro da poeira que o plano geral revelava, no rasgo de um daqueles desfiladeiros fatais do velho Oeste, cavalgavam as duas figuras solitárias. Um, por escolha mascarado, dito Cavaleiro Solitário, um pouco à frente; outro, sua sombra fiel, de nome conhecido ainda que pelo um batizado Tonto, índio de alma tão branca quanto o corcel do bom mocinho que seguia cegamente. De repente, nos cimos do desfiladeiro, nos vários horizontes possíveis, em todos os pontos de fuga, desenharam-se silhuetas inesperadas, sombras incertas de outros índios, estes de alma cor da própria pele. Olhavam-nos, à dupla improvável, com olhos famintos de vingança e troco. Olhasse o solitário mascarado para onde olhasse, só divisava selvagens enfurecidos em número infinitamente superior ao seu estoque de balas de prata. Pasmado pelo desastre inevitável do qual julgava-se imune, recorda-se do fiel companheiro de sua solidão, vira-se para ele e diz: 'Nós estamos perdidos!' Também angustiado pelo real de seus horizontes, de bate pronto rebate o nunca mais tonto: 'NÓS QUEM, CARA PÁLIDA?'"
Puta racismo. Mas achei divertido. Frase clássica. Como será que eles se livraram dessa?
Boas festas a todos.
Amante
Recebi por e-mail e gostei bastante... vale a pena refletir!
Muitas pessoas tem um amante e outras gostariam de ter um.
Há também as que as que não tem, e as que tinham e perderam.
Geralmente são essas últimas que vêm ao meu consultório para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de insônia, apatia, pessimismo, crises de choro ou as mais diversas dores. Enfim, são várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente perdendo a esperança.
Elas me contam que suas vidas transcorrem de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que não sabem como ocupar seu tempo livre.
Elas já esperam o diagnóstico de depressão e a inevitável receita do anti-depressivo do momento .... Mas, após escuta-las atentamente, eu lhes digo que na verdade precisam é de um amante !
"Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa dessas ?" - pensam chocadas, escandalizadas.
Mas eu explico que AMANTE é "aquilo que nos apaixona" .
É o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono e é também aquilo que , às vezes, nos impede de dormir. O nosso AMANTE é aquilo que nos mantém distraídos em relação ao que acontece a nossa volta.
É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida.
Às vezes encontramos o nosso amante em nosso parceiro, outras, em alguém que não é nosso parceiro, mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis.
Também podemos encontra-lo na pesquisa cientifica ou na literatura, na música, na política, no esporte, no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente, na boa mesa, no estudo ou no prazer obsessivo do passatempo predileto...
Enfim, é "alguém" ou "algo" que nos faz "namorar" a vida e nos afasta do triste destino de "ir levando.
E o que é "ir levando" ?
Ir levando é ter medo de viver. É o vigiar a forma como os outros vivem, é o se deixar dominar pela pressão, perambular por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastar-se do que é gratificante, observar decepcionado cada ruga nova que o espelho mostra, é se aborrecer com o calor ou com o frio, com a umidade, com o sol ou com a chuva. Ir levando é adiar a possibilidade de desfrutar o HOJE, fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão de que talvez possamos realizar algo amanhã . Por favor, não se contente com "ir levando"; procure um amante, seja também um amante e um protagonista ... da SUA VIDA.
A psicologia, após estudar muito sobre o tema, descobriu algo transcendental :
Para se estar satisfeito, ativo e sentir-se jovem e feliz, é preciso namorar a vida.
Falando em política... Estes dias, um grafiteiro que costumava fazer oficinas de pintura financiadas pela Prefeitura Municipal me entregou um folheto onde estava escrito um texto sobre a indignação da "classe" dos oficineiros da cultura (teatro, dança, música, etc.) porque, após eles "ajudarem a derrubar" o PT, agora decobrem que o novo governo faz menos ainda -- que antes havia poucos recursos para a cultura popular, mas agora não há nenhum. Dias atrás, descobri que a Câmara dos Vereadores de Porto Alegre votou uma nova lei sobre uma nova taxa de contribuição sobre a energia elétrica, referente a iluminação pública, enquanto esta mesma Prefeitura parou de recebe verbas estaduais e federais por estar individada com a CEEE. Aí, penso: sim, eu também não gostava da prepotência do PT, acho que este partido foi corrompido em sua estruturação burocrática como qualquer outro partido, e entendo importante que a democracia seja mantida pela variação de partidos no poder. Mas precisavam exagerar e votar na opção mais infame?!?
Cantarolando
Começou tudo de novo.
Mais um dia.
O passarinho na janela veio me acordar.
Piu-piu.
Virei pro lado, mas ele cantou mais alto.
PIU-PIU.
Levantei... fazer o que?
Mais um microconto...
Viu que já era dia e abriu os olhos.
Estrelinha
- Olha lá, ela está caindo! Saiu correndo para pegar a estrela, não queria que ela se machucasse. Era o maior e mais brilhante ponto no céu! Tão lindo. Pena que caiu. Mas não se machucou... foi resgatada pela menina de chiquinhas no cabelo! Um dia quem sabe, ela volte a brilhar lá em cima.
Vi no rádio que hoje é o dia nacional do Samba. "Pelo Telefone" é o nome do primeira letra de Samba históricamente considerada. Quem diria, a Internet e o ritmo brasileiro têm algo em comum!
Há uma interpretação interessante sobre o mal-do-século no mundo europeu/europeizado atual, comparando-o com o século XIX, que é o berço da razão e da loucura máximas, da tecnologia industrial, de Santos Dumont, de Freud e Jung, de Sherlock Holmes, de Jack o Estripador. Naquela época, como a sexualidade e a expressão das emoções em geral eram reprimidas, o mal-comum era a histeria, um descontrole patológico dos afetos, uma compensação à inflexibilidade generalizada da patologia social.
Hoje temos, principalmente em países como o Brasil, o mito da eterna alegria; o mal compensatório, então, é a possibilidade de ficarmos quietos, em nosso canto, sendo assim rotulado de modo genérico como depressão. É a compensação pelo excesso de euforia, que vai desde uma lentidão leve até o suicídio propriamente dito.
Fico pensando nas letras do Samba original, pré-Pagode (este que algumas pessoas consideram um tipo de Samba, o que discordo com muito asco), e vejo que falam de tristeza, de dores de amores, de infâmias e de problemas do dia-a-dia, de traições, etc. Aí não entendo como podem transformar a comemoração desta data em mais uma desculpa para rachar a cara ao meio de tanto mostrar os dentes em convulões frenéticas e televisivamente valorizadas. Nada contra ficar alegre com música, mas eu preferiria curtir o ritmo pelo que ele representa, com uma alegria ébria e nostálgica, uma agitação alucinada como um ritual ao redor da fogueira.
Acho que isso me deixa deprimido...
- Viu... era exatamente isso que eu queria! Consegui, até que enfim! - Mas o que é isso? - Meu super raio paralizador amarelo. - E pra que tu queria um negocio desses? - Pra paralizar as coisas oras! Isso é óbvio. - Ah tá. E o que tu quer paralizar? - O tempo. - Mas não consegue fazer isso... é impossível! - Talvez seja... mas eu vou tentar... não inventaram a camera fotográfica para guardar os momentos? Então, eu inventei o raio paralizador amarelo para guardar o tempo! - E por que é amarelo? - Porque é a cor do sol oras! - Ah tá!
Caminhando hoje pelo Centro, fiquei pensando em como poderia ser a moda-verão daqui a, digamos, dez anos (ou menos): luvas, turbantes, tapa-ouvidos, calças e mangas de camisas beeem compridas, muito branco, amarelo, prata, pastel, creme (não estou falando de comida), tudo de material muito leve e reflexivo à luz do Sol, isolante térmico; uma máscara de oxigênio e um mini-sistema de refrigeração completam o que poderia nos fazer novamente nos sentirmos bem em andar pelas ruas de um Porto já-não-muito-alegre. Ficção científica? Talvez. Mas o telefone celular e o disc-man também eram... Quem sabe?
Cadê? Sumiu!
- Cadê? - Cadê o que? - Cadê? Tava aqui agora há pouco. Onde tu colocou? - Não sei do que tu tá falando guria. - Não pode ter sumido assim, de uma hora para outra. - Não pode mesmo... Silêncio. - Achei! - Onde tava? - Dentro da gaveta... - Mas que mala!
Em seguida à enxurrada de prata, o canto enfático dos pássaros se junta ao rugido dos ônibus no momento em que o Sol se levanta; são todos monstros da consciência nesta mescla suburbana do dia-a-dia girando ao redor dos sete passos da semana. É como um bonde que passa e escolhemos ou não pegar, seja qual for o nosso objetivo. É apenas um em vinte e quatro horas e, caso o percamos, nosso sangue irá congelar e mofar até que sintamos o gosto do atrazo e da leve sensação de que algo permanece deslocado por um bom tempo.
Aahh, eu estava andando por aí, e resolvi parar e vi que estava aqui.
Maaass - quem diria...!
(silêncio)
O interessante é pensar se este textugo semiébrio seria interessante se fosse lido com entonação, por alguém do teatro.
Um cara chamado Antônio Cicero disse que não faz sentido chamar o olhos de "janelas da alma", porque quem olha por uma janela é um par de olhos, que por sua vez são janelas, que remetem a olhos, que são janelas... recursivamente (ou repetitivamente?) até o infinito. E nunca se chega a saber nada sobre a bendita alma desta forma.
Fada
Carolina perdeu o dente canino. Seu pai disse para colocar embaixo do travesseiro, porque a fada do dente viria de noite e trocaria o dente por uma moedinha. A fada do dente não apareceu. Carolina nunca mais acreditou em fadas.
Ala(r)gamento
Ocorreu-me em sonho: o que aconteceria se um vampiro fosse mordido por um morto-vivo? Creio que as idéias mais largadas de todas são os sonhos, afinal. Falo dos sonhos noturnos — porque existem vários tipos de sonhos: os devaneios, os anseios, os ideais, os pesadelos, as utopias, as ilusões e, não esqueçamos, os pães recheados com doce-de-leite. São tantos os sonhos que temos (os noturnos) que cabe a óbvia metáfora do iceberg: não enxergamos a maior parte, que está abaixo da superfície, e o todo é muito mais largo do que pensávamos. Largamos a grande maioria da minoria insignificante que podemos (ou queremos) pescar pela manhã. Aí, já podemos encaixar a metáfora talvez não tão óbvia, se bem que muito mais comum, e com certeza mais bela, da água: nosso inconsciente, reflexivo na parte de cima, fluído, mais escuro à medida que descemos. O que não lembramos não está na consciência, portanto... bem simples. “Iceberg” significa “montanha de gelo” em alemão, e aí eu já não sei o que isso significaria aqui; nem todas as pessoas são frias e duras mas, talvez, todos sejamos essencialmente solitários. Ou talvez sejam só os alemães mesmo. “Dizem que sonhar está morto, ninguém faz isso mais. Não está morto, é apenas que foi esquecido, removido de nossa linguagem. Ninguém ensina mais, então ninguém sabe que existe. O sonhador é banido para a obscuridade. Bem, estou tentando mudar tudo isso, e eu espero que tu também estejas. Sonhando, todos os dias.”(‘Waking Life’, Linklater, 2001) Já “Blog” é diminutivo de “Weblog”, que é o inglês de “registro da Rede”, ou “diário da Rede”. Se bem que, dizem uns, “Blog” significa “Better Listings On Google”, e faz sentido... Mas a Rede, sabemos, é onde navegamos em meio a um mar de informações (muitas vezes excessiva). Outros já disseram que os sonhos noturnos não são mais do que a compensação, a revolta, o lixo, a negação ou o limite da consciência. De qualquer modo, no senso comum, cada um de nós “se larga” no sonho. Bom, talvez os Blog’s sejam um tipo de sonho: de que outros nos leiam, de que a Rede seja bela, de que possamos afinal nos comunicar. Ou, talvez, sejam apenas idéias largadas mesmo, alargadas para além de nós e para mais do que sonhos, simplesmente porque nunca iriam para algum outro lugar.
Giovani responde: “por que não sou a Lu?”
— Vamos ver, motivos porque não sou a Luciane... Primeiro, porque sou homem, e ela mulher. É um motivo mais evidente.
— Mas tu podes ser um ânimus literário ou algo assim, um alter-ego masculino...
— É verdade. Isso explicaria o nome diferente também. Mas eu não sou a Lu, e posso demonstrar: tenho uma página própria, o www.oniros.com.br
— Bem, uma url não prova nada nos dias de hoje.
— Ok, péssima idéia. Bom, nossa escrita tem estilos diferentes. Isso é fácil de ver.
— Fernando Pessoa foi capaz disso também.
— Sim, mas ele era um gênio, eu não sou; e nem a Lu. Só escrevemos num Blog, nada mais.
— Então, caso Giovani e Luciane fossem a mesma pessoa, seria uma pessoa no nível de um gênio, é isso?
— Uhm, não necessariamente, porque apenas dois pseudônimos, em dois textinhos pequenos, eu até daria conta...
— Tu gostarias de ser a Lu?
— Pff... Que pergunta idiota. Claro que não!
— Então por que tu escreves no Blog dela?
— Ela me convidou. Ou eu me autoconvidei, não me lembro bem o que veio primeiro...
— Isso é coisa que um pseudônimo faria.
— Não sou pseudônimo. Vou no chá de panelas dela e do Everson sábado. Sou real.
— Mas então, até lá, não tem como saber. E quem não for, vai ficar na dúvida...
— Há,há... E imagina se eu não for, por um motivo ou por outro, o que vão pensar?
— Então deve haver um modo de tu provares que tu não és a Lu.
— Como assim provar?! Eu não preciso provar nada! Só levantei a questão por causa dos malditos comentários no meu primeiro textículo (publicação abaixo). Que gente mais desatenta...
— Ok, ok. Aliás, a Lu te fez uma pergunta como comentário.
— Ah, é, quase me esqueci. Tentei responder, mas o programa não aceita meus comentários. Na verdade... não, ou não somente. É um grupo de trocadilhos, uma brincadeira, mas também pode ser o que ela disse.
— Ok. Estamos chegando ao fim de mais um dia aqui no “Idéias Largadas”...
— Fim do dia? Não são nem 9:00 am!
— É que nos impusemos a condição de apenas uma publicação por dia...
— Peraí, “nos”? Quem é “nós”? Quem és "tu"?
— Ora, que pergunta...
— Não, sério! Estou aqui tentando explicar pros “leitores” que eu não sou a Lu, e logo quem me aparece...
— Fui convidado.
— Quem disse?
— Outra pergunta sem sentido!
— Mas que diabo. Talvez não tenha sido uma boa idéia largar isso aqui.
largada
Minhas idéias me largaram (de mão), por hora Corro atrás delas, mas elas fogem (dizem que sou apressado demais) para me suportarem (embora sejam tudo isso) “esta terrível gravidade...” (MOORE, Alan) E meus sonhos, esses esvazio no caminho Enquanto passos passam Eu busco de quem seriam
Microconto sem n°
Pessoal, para enriquecer ainda mais o blog, convidei meu amigo Giovani para postar!
Por isso não estranhem se aparecer um nome diferente por aqui hehehe :)
E especialmente pro Edson, que pediu a volta dos micro contos, aí vai mais um!
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Catarina abriu os olhos.
Pela primeira vez em muitos anos, viu a luz.
A sala dos pássaros
Não estou com muita inspiração ultimamente para postar, então deixo o João Cuenca falar por mim! Ótimo final de semana! <><><><><><><><><><><><><><><><><><> A porta enverga, rompe a manhã estalando dobradiças, relincha a tábua curtida por anos de silêncio, desparafusa lembranças e cai; o baque se repete, solta farpas, vem e volta até romper a madeira em duas partes que tombam no chão; abrem caminho para uma luz branca que, da esquadria, corre até a sala onde pássaros cegos se chocam contra as paredes, resfolegando entre piados roucos; suas penas flanam e caem lentas até costurarem um tapete de restos e vôos malogrados no solo, os pássaros presos no ar tentam fugir da claridade por uma janela fechada; num canto da sala estamos a revirar gavetas, álbuns de fotos e cartas, mas não são nossas as fotos nos cadernos de capa dura, amarrados com capricho por laços de fita vermelha, não são nossas cartas carimbadas em correios de além-mar, não conhecemos seus remetentes e histórias familiarmente alheias, de caligrafia delicada e recorrente que lemos com olhos agitados.
O vôo dos pássaros se multiplica e nos envolve numa nuvem de penas que entram pelos nossos olhos e bocas, entre os dedos, dentro da roupa; o alvoroço das asas, seu cheiro salgado de antes de ontem, o sangue dos animais mortos, vinho doce derramado aos nossos pés, o toque da pele esgarçada e macia, pelos nossos ouvidos o farfalhar das asas e os últimos estertores dos bichos, como lenços de seda caindo do teto nos expulsam em direção à luz branca que, da esquadria, corre até a sala onde pássaros cegos se chocam contra as paredes, resfolegando entre piados vazios.
Somos invadidos pela luz até nos confundirmos com seu branco de holofote: nós somos a luz branca, e, com os olhos cerrados pela claridade, ouvimos a voz involuta de um senhor:
“A pior coisa de estar morto é saber que o mundo inteiro continua funcionando normalmente, saber que todas as pessoas seguem acordando para o trabalho, indo ao cinema, se apaixonando, alimentando, aproximando e afastando, num movimento contínuo do qual não se faz mais parte. É uma sensação de alheamento terrível, não compensada pelo sofrimento e oração dos seus familiares: os filhos, depois de alguns meses deprimidos, acabam por seguir com suas vidas como você mesmo fez quando seus pais morreram; em relação às nossas mulheres, temos que encarar o fato: por mais que elas se desesperem agora, em poucos meses (ou anos: para um morto tempo não faz diferença), estarão nos braços de outro homem – o próximo marido, outro homem que sentirá seu cheiro e toque. É do que mais tenho saudade, sabe? O cheiro do seu corpo molhado pela minha língua e vinho tinto: doce e salgado, lenços de seda caindo do teto, anjos batendo asas no meu rosto. Parece que foi há poucos minutos, mas hoje eu não saberia identificar seu odor ou textura. Virei lembrança guardada em gaveta, e as lembranças não têm nenhum dos sentidos dos homens. Só sinto saudade. O morto normalmente entende tudo isso, mas eu não quero entender. Não vou entender.”
Voltamos à sala dos pássaros onde, pela janela, o sol se põe carregando os restos dos mortos. Acordamos abraçados pela madrugada com as portas de casa abertas, uma lufada de ar varrendo a poeira do chão.
João Paulo Cuenca
Pobre Zica
Zica tinha um amigo.
Desde criança Zica conversava, brincava, chorava com Adolfo.
Adolfo ia todos os dias para a escola com Zica. Lanchava, brincava, conversava com o amigo.
Todos riam na escola, afinal Zica falava sozinho. Ninguém via Adolfo, seu melhor amigo.
Pobre Zica.
Agora chorava.
Adolfo existia, mas ninguém via, só ele.
Um dia Adolfo sumiu. Não foi acordar Zica para ir para a escola, nem apareceu para o lanche. Zica não brincou com ninguém naquele dia.
Pobre Zica.
Agora sim estava sozinho.
Todos riam dele.
Agora Zica não existe mais.
Ninguém mais ri.
Pobre Zica.
Fadas e Duendes
- Viu como está escuro aqui?
- É, acho que tem que acender alguma vela...
- Melhor não, maluca... vai acordar os duendes!
- Que duendes?
- Aqueles que moram nas arvores.
- Ah é verdade... Então vamos fechar os olhos e dormir...
- Pois é, mas não to com sono agora. Não quero dormir. Não consigo.
- Deixa de ser boba e dorme. Fecha os olhos e vira pro canto!
- E os duendes?
- Eles já estão dormindo.
- Ah é. Quero sonhar que sou fadinha, gosto tanto de fadinhas.
- Pra sonhar, tem que dormir... tu não quer dormir.
- Ué, mas eu posso sonhar acordada. Quem disse que não posso? Se eu quiser eu imagino que sou uma fadinha, que voa pela floresta. Não tem aquela história de pó de pirlim-pim-pim? Então, eu uso ele pra voar.
Sonhou a noite toda com a fadinha e os duendes na floresta.
Sumiço
Muita gente já sabe o motivo do meu sumiço aqui no blog ou no MSN - arrumei um novo emprego, e lá é bloqueado o acesso... Muita informação para assimilar nessa semana, matérias da faculdade estão começando a complicar, então tenho que parar um pouquinho para estudar as vezes!
Espero que todos os meus amigos tenham uma ótima semana, e se quiserem me achar, mandem e-mail :)
Mais tarde, se der eu volto aqui pra postar algum conto!
Até!
Sinopse: Maluchos
Imagine que por frações de segundo você perde a noção do que esta acontecendo ao seu redor, que por instantes o mundo parece ter andado mais rápido e que você parece ter morrido um breve momento.
parece que você ficou desligado, ou que não viveu aqueles momentos. Imagine se você somar todo esse tempo, teráperdido segundos, minutos, ou até talves horas de sua vida. Imagine que isso não acontece somente com você, mas com todos os seres vivos do universo. Imagine que existe um ser que vive desses momentos, privados de você.
Everson
Senhora
Esse também é do fundo do baú, escrevi há muito tempo.
Olhando pela janela percebia a chuva fininha que caía.
Sozinha em casa resolveu sentar na janela para ficar olhando.
Não gostava de tv.
Sentou na janela e ficou olhando. A chuva caindo, pessoas com seus guarda-chuvas pretos passando, crianças brincando no meio da rua. Ficou ali olhando até que adormeceu.
Sonhou que era criança, brincava na chuva, corria com as outras crianças! Estava tão feliz. Não queria acordar, queria ficar ali sentindo aquela felicidade para sempre. Era tão bom.
Era uma senhora, em cadeiras de rodas...
Republicação
O sapo
O sapo na lagoa cantava:
"Cai cai balão, cai cai balão, aqui na minha mão..."
Cantou, cantou, cantou, até que cansou.
Deitou e dormiu.
E o balão caiu.
Republicação...
Sem título nº 4
As unhas rasgavam a pele, o sangue escorria.
A dor não se fazia perceber, tal era a angústia, o medo, o prazer do momento.
Fechou os olhos e um leve arrepio percorreu o seu corpo.
Esticou os braços, também sangravam.
Tudo girava, e escureceu.
Verruga, Deus e palavras sem nexo
Nasceu uma verruga no meu dedo indicador. Bem que a minha mãe dizia que quando a gente aponta pra uma estrela nasce uma verruga, mas eu não acreditei. Sabe como é, a gente sempre pensa que não vai acontecer com a gente tudo acontece com os outros, mas comigo não violão.
Pois aconteceu. Meu dedo já não é lá muito bonito. Eu bem que tento cuidar dele, corto a unha, às vezes pinto (talvez achando que isso vá melhorar a aparência), mas essa berruga não tem como esconder. Fiquei olhando a minha mão por um tempo e percebi que mão é muito feio. Não sei porque Deus em sua infinita bondade fez o homem com uma mão tão feia.
Cito Deus, levando em consideração que muitos acreditam que Ele exista. Nunca tive prova alguma tudo o que sei dele foi-me dito no colégio ou aprendi durante o tempo que freqüentei a igreja. Hoje não sei se acredito Nele.
Acho que muita gente usa as expressões: graças a Deus, que Deus nos ajude, se Deus quiser, é por força do hábito. Eu por exemplo, uso essas frases, mas necessariamente não acredito que Deus exista. Écomo dizem por ai, uma mentira passa a ser verdadeira quando muitos acreditam nela.
Não pretendo aqui começar uma discussão de âmbito religioso, só expresso minha opinião sobre o assunto.
Relendo o texto que acabo de digitar, percebi que não escrevi nada com nexo, comecei a falar de verruga e fui para na existência ou não de Deus. Às vezes deixo as idéias fluírem sem nem me dar conta do que estásendo impresso na tela. Os dedos meio que trabalham sozinhos, sem meu consentimento e as palavras se encaixam. Pena que não seja sempre que isso acontece.
Dança
Dançava pela última vez.
No salão tocava a sua música favorita.
Rodopiava.
Beijou pela primeira vez.
Sorriu acanhada.
Naquele momento, nada mais importava.
Aproveitou ao máximo aquele primeiro e último momento.
Abraço
Naquela noite tinha certeza de que aconteceria.
Ouvia no rádio Deep Silent Complete, estava sozinha naquela sala. As luzes apagadas, apenas algumas velas acesas dando uma iluminação amarelada para o ambiente.
Ouvia as risadas das crianças lá fora.
Olhando pela janela, via a lua brilhante, como ela nunca conseguiu ser.
Lágrimas escorriam pelo seu rosto.
Sentia que já a abraçava. Não tinha mais o que fazer.
Ficou em silencio, sentindo aquele abraço gelado, mas ao mesmo tempo reconfortante. Sentia-se finalmente livre das preocupações.
Fechou a janela.
As velas se apagaram.
Fim
Porque que tudo tem que ser do jeito que é? Como vou saber o que érealmente certo ou errado? Danem-se essas filosofias baratas que falam, falam e não dizem nada.
Gosto de pensar do meu jeito. Se ele não te agrada, não posso fazer nada. Me deixa aqui sozinha, eu e meus pensamentos.
Talvez um cálice de vinho...
Me deixa aqui nesse quarto. As vezes gosto do escuro. Só eu, comigo mesma. E minhas lágrimas, e meus desejos reprimidos, e minha raiva escondida por debaixo da falsa compreensão.
Foda-se.
Não quero mais te ouvir falar que me ama.
Acabou!
Não é tu mesmo que diz que tudo tem um fim?
Nada dura pra sempre.
Formiga
a formiga questiona o existencialisto com a torneira de banheiro... somos afinal nada mais do que seres solitários e extremamente individuais, veja assim: as pessoas com as quais tu te relacionas são meras projeções tuas do que te cercas, a tua maneira de interpretar as coisas, se são quentes, frias ou macias, incluíndo aí também as sensações emocionais e as relações com outros seres. tudo é mera interpretação própria, somos deuses de nosso mundo.
o interruptor parafraseando a cadeira de varanda medos, receios, quantas vezes isso interrompe o processo de evolução do ser? será isso mero instinto animal, resquício genético de nossos avós primitivos ou ainda uma seleção "urbana" de quem é dominado e quem é o dominador?
a joaninha fechando o terceiro baseado sujeira, tudo é uma grande lata de lixo, a teoria do caos reina em absoluto. a estética é o lixo, vamos amar a sujeira, total e real. cof, cof, entende, tudo é fumaça, quando pintam um prédio, uma casa, não é pra sempre, não é absoluto, ao lado, tem um mais sujo, e a sujeira é contagiante, o limpo é sujo por não se sujar, entende? dá o cinzeiro...
lagartixas embebidas em cachaça no fundo de uma garrafa no bar joão... a morte é inevitável, mas mesmo sabendo disso não desistimos de nada. as pessoas que vivenciaram o "quase morte" parecem que tem um sopro de vida, tentam vivenciar tudo até o final. mesmo aquelas que sentiram uma maravilhosa sensação de luz, paz. por que não ficaram lá então se era melhor? cuidado lá vem o júlio! Por Everson
Estranho
Lia e relia aquelas páginas, estranhamente as palavras lhe eram familiares, mas ao mesmo tempo desconhecidas.
Nem parece que foi ela que escreveu há tempos atrás.
Paradoxos
Quando me dizem pra não desistir, pra ir em frente, que tudo vai dar certo, penso naquela frase que falava de estar na beira do abismo e dar mais um passo. Mas as vezes é preciso cair, precisamos acreditar... Às vezes só aprendemos quebrando a cara mesmo.
Daí a gente se ergue e segue a vida.
É assim, vivemos de paradoxos...
A vida é um paradoxo.
Começo e fim
Sentia-se feliz ou infeliz, mas sabia que tudo tinha um começo e um fim.
E sempre é assim.
A chuva chega e com ela o sentimento de saudade, misturado com a melancolia de um dia frio e cinzento, mas passa.
Como tudo um dia passa.
How Weird Are You?
Vi lá na Mari e fiz também...
Até que não sou tão estranha quanto imaginava ahahahahha
| You Are 40% Weird |
Normal enough to know that you're weird...
But too damn weird to do anything about it! |
Google tomando conta...
O Google anúnciou ontem uma ferramenta de busca em blogs.
Através do site é possível pesquisar por conteúdo dos posts dos inúmeros blogs existentes hoje.
Por enquanto o Blog Search lista apenas os blogs que tem extensão .blogspot.com, .blogger.com.
Últimas
Mais recentes fotos que o Everson tirou.
Clique n a foto.
Esquerda Volver
Li no Bah! e gostei.
Também assino embaixo.
Resposta de um economiário.
Passei a vida toda lutando contra a Ditadura Militar epolíticos da Arena; PDS; PFL; PSDB........Vivi a era FHC e vi o país ser posto à venda.Vi Mais de 100 empresas públicas serem 'privatizadas', sem que o produto davendatenha sido utilizado em favor do País.Fiquei 08 anos sem nenhum centavo de reajuste salarial.Vi colegas de trabalho, concursados, serem demitidos, através do malsinado RH008.Vi todo o processo de desmonte da Caixa para a privatização.Vi dezenas e dezenas de CPIs serem abortadas a custa de muita grana. Vi oProcurador Geral da União ser chamado de Engavetador Geral da União. Vi aPolíciaFederal de mãos amarradas.Vi o FMI mandando e desmandando e os Governos dizendo amem.Vi um país que gerou apenas 8 mil empregos mensais durante08 longos anos.Vi trabalhadores escravos.Vi e vivi. Participei de dezenas de passeatas.Vi o 'pensamento único' do PSDB calando jornais; rádios e tvs.Vi o Banco Central 'doando' milhões de dólares para os banqueiros falidossalvaremsuas peles.Vi milhares de micros e pequenas empresas fechando suas portas para dar lugaraosimportados pela paridade do dólar.Vi o escândalo do SIVAM......
Agora que o Brasil gera mais de 100 mil empregos mensais;Que as indústrias batem recordes de produção;Que o comércio bate recordes de venda;Que o país bate recordes de exportações;Que dispensamos a tutela do FMI;Que o banco onde trabalho contrata milhares de novos empregadosconcursados;Que estamos entrando em período de deflação;Que 09 milhões de famílias são atendidas pelos programas sociais do Governo; Queaagricultura familiar está tendo acesso ao crédito;Que as pequenas e micros empresas voltam a abrir portas;Que a Polícia federal atua sem amarras e desbarata uma quadrilha atrás da outra,como nunca em toda a sua história;Que a fiscalização da Receita Federal está fazendo as grandes empresas e bancosrecolherem impostos (tanto que a Receita federal também bate recordes dearrecadação);Que o Ministério do trabalho fiscaliza as empresas (o FGTS também bate recordeshistóricos de arrecadação) e está erradicando o trabalho escravo nocampo........
Agora vem alguém me pedir para ir às ruas contra LULA e o governo popular???!!!
Meuamigo: TÔ FORA!!!!!
Estou pronto para ir às ruas pedir investigação de quaisquer atos de corrupçãopraticados por quem quer que seja.Que a Polícia Federal, O Ministério Público Federal e outras instituições sériasinvestiguem com total isenção, e que a Justiça puna exemplarmente todo aquelequetenha praticado irregularidade.Fazer o jogo e servir de instrumento de pessoas como ACM, Bornhausen, FHC,ArthurVirgilio, Álvaro Dias, Jefersons da vida e outros, que todos sabemos bem quesão,JAMAIS!
Abraços,
Autor desconhecido.
Sem controle
Não conseguia mais me esconder.
Veio em minha direção.
Eu caí.
Amarrou cordas nos meus braços, pernas, mãos e pés.
Me fez fantoche.
Não tinha controle sobre nada o que acontecia.
Só aquela criança de madeira controlava tudo.
Volta e meia ele volta quando estou dormindo.
É nos sonhos (ou seriam pesadelos?) que ele aparece.
Palpiteira, Palpiteira...
A Cláudia, do Palpiteira, me me indicou pra dizer quais as três mulheres e os três homens que eu jamais transaria...
Compartilho da idéia da minha amiga virtual - com mulher nem que me paguem hahahahah! Coisa mais nojenta.
Acho que escolher três homens que eu não transaria nunquinha é mais fácil.
1. Severino (velho nojento...)
2. ET (baixinho, magricela e narigudo - não tem quem mereça!)
3. Ronaldinho Gaúcho (eta "homi" feio)
Vou passar a bola pra Fla, pra Sara e pra Bruna.
Mistério
Gostava de brincar de cabana.
Pegava cobertores e lençóis e amarrava no beliche.
Ficava lá dentro brincando de Barbie.
O quarto uma bagunça, tudo espalhado.
Incrível que quando acordava estava tudo arrumado.
Será que era sonho?
Ou era a mãe que vinha, dobrava tudo e depois guardava no roupeiro?
Insônia
Na noite escura é tudo silêncio.
Ruas vazias. O vento fraco bate na janela.
Frio.
Noite gelada.
Ela escuta um grito.
Continua deitada, a insônia às vezes prega peças.
Novamente o grito, dessa vez mais perto.
Nervosa levanta e vai até o banheiro. Lava o rosto.
Quando olha no espelho, como que num relance, não vê seu rosto e sim o rosto de outra pessoa.
Alguns anos mais velha, cabelos compridos, olhos caídos.
Olhou de novo, seu rosto jovem estava novamente refletido.
Assustada voltou para a cama.
Os gritos ainda continuam nas noites de insônia.
Até hoje não gosta de encarar o espelho.
Festinha!
Hoje é aniversário do Edson do Tô Sabendo.
Apesar dele ter me chamado de "mimada" lá na " novela" do BC eu vou fazer um bolinho pra ele.
Feliz aniversário Edson!
Tudo de bom pra ti :)
Turma do BC
O Edson fez essa "novela" ----" A vida como ela é.... no BC"
Muito boa!
Assim todos vão poder conhecer melhor os integrantes dessa turma de blogueiros!
PS: E eu não sou mimada, Edson!
Procissão
Um jeito diferente de ver...
Fotos: Everson
Velhos Tempos
Pra recordar...
Máquina fotográfica Love
Bah, eu tive uma dessas...
Murfy
Eu tive um com a luva vermelha e minha irmã tinha um com a luva azul!
Kit Frit
Ahahaha, esse fazia até barulho quando fritava as comidinhas
Snorks
Esse dava no Xou da Xuxa
Refrigerante Grapette
Iô-Iô
Eu tive o da Coca Cola.
Pinos mágicos
Quem não brincou com eles?
Estojo automático
Eu nunca tive, mas minhas colegas sim! Não gostava muito, baita trambolho hehehe
Novela Carrossel
Eu odiava a Maria Joaquina... ô guria que sabia ser chata!
Coleção Moranguinho
Essa eu tinha todas! Cheirinho bommmm...
Meu primeiro gradiente
Ahahaha sempre fazia muito barulho, cantando Vou de Táxi da Angélica
Mundo da lua
Não perdia um...
"Planeta Terra chamando, planeta Terra chamando. Essa é mais uma história de Lucas Silva e Silva, falando diretamente do Mundo da lua, onde tudo pode acontecer..."
Claro que tem muito mais coisas, mas se for continuar vai dar um post enorme hehehe
Quem lembrar de mais, pode falar!
Xadrez
ONTEM EU JOGUEI XADREZ COM DEUS. Eu estava sentado em uma poltrona velha e vermelha com estofado rasgado numa sala imensa e toda branca. Deus estava no teto da sala . O tabuleiro era enorme e as peças eram em tamanho natural... Deus dizia torre na casa 3 linha 1, e a torre levantava suas perninhas vestidas de lycra azul e caminhava até a casa... No final descobri que Deus jogava muito mau e acabei ganhando dele. Depois disso ele prometeu que pra mim não tinha purgatório.
Everson
Microconto XIV
Quando descobriu tudo já era tarde demais.
Microconto XII
Tinha medo do escuro, mas não podia acender a luz.
Eu me presto!
Vi lá na Fla e gostei.
Se eu fosse uma frase, seria:
Por enquanto é Conhecer o quanto se ignora é o início da sabedoria.
Se eu fosse uma pergunta, seria:
Porque?
Se eu fosse uma música, seria:
Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro - Wander
Se eu fosse uma bebida, seria:
Vinho tinto suave
Se eu fosse uma palavra,seria:
Noite
Se eu fosse um sentimento, seria:
Melancolia
Se eu fosse um animal,seria:
Passarinho
Se eu fosse um filme,seria:
O Fabuloso Destino de Amélie Poulain
Se eu fosse um lugar,seria:
Campo
Se eu fosse uma cidade,seria:
Porto Alegre
Se eu fosse um objeto,seria:
Lápis
Se eu fosse um livro,seria:
O pequeno príncipe - Saint-Exupéry
Se eu fosse um instrumento, seria:
Violão
Se eu fosse um horário, seria:
Qualquer um da noite
Se eu fosse uma cor,seria:
Amarelo
Se eu fosse uma estação seria:
Outono
Se eu fosse uma fruta, seria:
Banana
Se eu fosse uma comida,seria:
Lasanha
Se eu fosse uma flor,seria:
Rosa
Se eu fosse um elemento,seria:
Terra;
Se eu fosse um ambiente,seria:
Quarto
Se eu fosse um poder,seria:
Invisibilidade
Se eu fosse um cd, seria:
Dois Legião Urbana
Se eu não fosse eu,seria:
Não faço idéia
Se eu fosse um final,seria:
Surpreendente
Microconto XI
Percebeu que estava errada, mas já era tarde.
Microconto X
Caiu em si. Era o que restava.
Surpresa
Já é dia?
Como passou rápido!
Bolinha de sabão
- Deixa eu brincar também?
- Deixo sim. Tu sabe fazer bolinhas de sabão.
- Não. Mas tu pode me ensinar!
- Humm, tá bom! Faz assim ó: tu pega o canudinho e molha na agua com sabão. Depois tu tem que assoprar devagarinho pra bolinha não explodir! Viu só a bolinha que bonita?!
- Aham! Deixa eu tentar! ... Ah, peraí que ainda não consegui!
- EEEEeeeEEEEEeeeeeee!
- Viu só como é fácil?
- Gostei de brincar de bolinha de sabão!
Microconto IX
Terminou o dia.
O tempo parou.
Pelo menos até amanhã de manhã.
Será?
Não tinha o que fazer.
Deixou-se levar.
Sobre aquela vez...
Olhos fechados.
As lágrimas lavavam seu rosto.
Sua pela nua, sentia o calor daquelas mãos.
Não queria estar ali.
Na escuridão estava sozinha.
Sentia asco.
Chorava.
Que meigo!
ahaha a Fla me indicou o teste, e eu sou borboleta!
Que meigo :)
Que coisa meiga você é?
Nada mais
Sabia o que iria fazer.
Sabia como iria fazer.
Faltava coragem.
Todos sabiam disso e ninguém dizia nada.
O silêncio era cúmplice.
A morte esperava.
Tudo escuro e vazio.
Tudo caído, espalhado pelo chão.
Mas quem se importa?
Nem ele. Nem ninguém.
Está acabado.
Bolinhas
Caiam bolinhas coloridas do céu.
Era tão bonito.
Tinham bolinhas amarelas, outras azuis, verdes, vermelhas...
Todas as cores estavam caindo do céu.
Bolinhas.
Enchi uma piscina com as bolinhas coloridas e fiquei ali brincando.
Microconto VIII
Saiu correndo. Mesmo querendo ficar mais um pouco.
Voava
E sonhava que voava.
E sonhava que chegava até as nuvens.
E elas eram feitas de algodão doce. Tão bom.
Gostava de brincar nas nuvens. De comer o algodão doce.
E vinham os anjinhos e todos brincavam juntos.
Todos voavam.
Todos brincavam.
Era bom.
Divagando
...Então vou continuar aqui.
Assim consigo imaginar a imensidão desse mundo.
Azar que não possa alcançar o que quero sempre.
Acho que nem por isso devo desistir.
Que triste e monótono seria se não existisse a presença das estrelas na nossa vida.
Microconto VII
Pensou que tinha terminado. Mas estava recém començando.
Microconto VI
As gotas de chuva no vidro pareciam estrelas cadentes.
Mais um microconto
Ela estava gostando. Gritava só por gritar mesmo.
Cais
Fotos do Cais de Porto Alegre.
Clique na foto.
Pra descontrair um pouco
Beleza não é tudo...
''Um dia, a rosa encontrou a couve-flor e disse:
Que petulância te chamarem de Flor!
Veja sua pele: é áspera e a minha lisa e sedosa.
Veja seu cheiro desagradável e meu perfume sensual e envolvente.
Veja seu corpo grosseiro e o meu delicado e elegante...
Eu, sim, sou uma flor!
E a couve-flor respondeu:
''Querida....o que adianta ser linda se ninguém te come...''
Assunto do momento
Política. É só disso que vejo falar, em revistas, blogs, jornais, telejornais. Tudo isso muito bom, bastante informação para ficarmos por dentro do que acontece em Brasília, ou pelo menos do que eles querem que o povo saiba.
Estou há dias evitando comentar sobre o assunto, mas definitivamente não consigo mais.
Tantas coisas são ditas e cadê as provas?
É muito fácil dizer que o filho do Lula Fábio Lula foi beneficiado com o dinheiro do governo. É muito fácil manchar o nome do cara. Mas, ninguém em momento algum pensou que a empresa Gamecorp, que o Fabio Lula é sócio, cresceu bastante nos últimos anos principalmente por causa da indústria de jogos que aumentou o faturamento de R$ 760 milhões para 11,6 milhões. Ninguém pensa que a empresa Gamecorp comprou a licença do G4 e começou a produzir um programa de tv que está fazendo muito sucesso e faturando cerca de R$ 400 mil. Qual é o problema de uma empresa que está prosperando querer crescer um pouco mais se juntando com uma empresa de telecomunicações para criar um canal exclusivo de games?
Será que se Fabio Lula não fosse filho do presidente isso tudo estaria acontecendo com ele?
Em algum momento, alguém foi especular os negócios de Paulo Henrique (filho do FHC) que durante o mandato do pai, foi editor de uma revista sobre exportação, que prosperou bastante e era recheada de anúncios de grandes empresas, mas que em 2003 deixou de existir?
A mídia e os próprios políticos estão jogando cada vez mais lenha na fogueira. Tudo gira em torno do PT e dos petistas, daí é muito fácil os outros partidos se passarem por santinhos afinal os holofotes não estão sobre eles, aproveitam pra falar e culpar os outros.
Fico indignada com tudo isso. Essa hipocrisia toda que está tomando conta do país. Porque as pessoas não se preocupam em olhar os dois lados da coisa? Certamente é mais fácil acreditar no que édito. Pra que parar pra refletir sobre os motivos de estarem falando tudo isso.
Não quero defender ninguém. Só penso que é importante todo mundo tentar ser imparcial e ver os dois lados da moeda. O caso da empresa Gamecorp é apenas um exemplo do que está circulando na mídia por agora.Se eu continuar a escrever sobre o que acho da tal indignação de alguns pela tragédia que se deu com a Daslu, sobre o que pensam da alta popularidade do Lula mesmo com toda essa crise, iria ficar escrevendo até amanhã!
Fico por aqui.
Inacabados
Mãos cortadas
Comiam bolachas, e elas eram pretas, bem escuras, parecendo um pedaço de carvão que deixava as mãos sujas como as paredes de um forno à lenha, picumã. sabe?
- Bem e era somente essa a refeição servida, digo, não tinha mais nada além disso?
- Nada. As bolachas eram compradas na cidade, mas só o homem mais velho saia para buscar, eles diziam que era mais barato comprar bolachas do que plantar o seu alimento.
- Toda a semana ele chegava com um saco enorme na carroça cheio das malditas bolachas. As crianças iam correndo em sua direção, todas com aquele sorriso de dentes podres, pretos!
- Por favor, tente se acalmar, fixe-se somente nos fatos principais, é muito importante entende?
- Desculpe-me, entendo sim.
- Continue, de onde quiser.
- Sim, esta bem, as vezes tomavamos um suco de frutas de um gosto terrível, a mulher dizia vir de uma árvore a qual eu nunca vi no lugar, quando indaguei que árvore, ela dizia serem romãs que nasciam no quintal, mas nunca realmente cheguei a vê-las.
- Hum, romãs e quando foi isso?
- Quando cheguei na casa, eu estava com um grupo em uma excurção, estavamos visitando o centro-oeste.
- Você os conhecia?
- Na verdade não, era um grupo da faculdade, mas eram todos oriundos de outras turmas, não conhecia a todos intimamente.
- Porque decidiu ir?
- Eu nunca fiz amigos na faculdade, ficava com medo de me reprovarem, de me condenarem.
- Porque te condenariam?
- Sei-lá, por eu ser feio, por eu falar bobagens.
- Você não é feio, e sabe disso, você tem um aspecto muito simpático, chamativo, do tipo intimidador.
- Tome cuidado no seu depoimento, isso pode só te prejudicar, ok?
- Ok.
- Vamos retomar, a excursão.
- Bem, tomamos um ônibus na capital que rodou o dia inteiro, era um ônibus de linha, o motorista nos orientou a descer no último entroncamento, já estava anoitecendo a essa hora e decidimos acampar naquela noite em um descampado que circundava a estrada,
Everson
Novembro/2002
Fantasmas
- Psiu! Fica quieta.
- Porque?
- Senão nos escutam.
- Quem?
- Eles. Apontando para um canto escuro do quarto.
- Pára de bobagem. Não tem nada ali.
- Ahh não é? Tu não consegue ver?
- Não. Não tem absolutamente nada ali.
- Então ta, fala alto então pra ti ver.
- EU FALO! DANE-SE.
Naquela mesma noite quando foi dormir, sentiu os fantasmas observando seu sono. Não teve coragem de abrir os olhos. Sentiu medo. Achou estranho, afinal fantasmas não existem.
Mas não teve jeito, não conseguiu dormir. Rezou três Pai Nosso e cinco Ave Maria, mas nada. O nervoso era mais forte que o sono.
Da próxima vez vou falar mais baixo pra eles não me ouvirem. - Pensou.
Especial FSM 2003
Esse é um especial que foi feito pelo Everson e o Giovani sobre o Fórum Social Mundial de 2003 que aconteceu aqui em Porto Alegre.
Queda
Estava caindo, com sempre.
Sempre caía, e nunca chegava no fundo.
Não gritava, não chorava, não sentia nada.
Apenas caía.
Já estava acostumado.
Sonhava.
Era escuro, e só sentia o vento em seu rosto.
Caía, e gostava dessa sensação.
Era bom.
Mensagem do dia
Recebi essa mensagem agora de manhã e achei muito legal. Então compartilho com todos que vêm me visitar.
Bom dia!
Quase
"Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. Éo quase que e incomoda, que me entristece, que me mata, trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou, ainda joga; quem quase passou, ainda estuda; quem quase morreu, ainda esta vivo; e, quem quase amou, não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que os leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto! A resposta eu sei de cor, esta estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "bom dia" quase que sussurrados. Sobre covardia e falta coragem até para ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, omar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-irís em tons de cinza. Não é que a fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance; para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferia a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. O nada não ilumina, não inspira, não aflige, nem acalma, amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Pros erros, há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cerca um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor, não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando, que sonhando; fazendo, que planejando; vivendo que esperando, porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu!"
Luis Fernando Veríssimo
Garoto Miojo
Ontem eu sonhei que tinha virado um miojo, um daqueles bem
grandes, sabe como é, eu sou meio gordinho. Eu acordava e ia
no banheiro, baixava o meu plástico e dava uma mijada
- obviamente, bem amarela. Depois ia no espelho lavar o rosto e
pentear os meus cachinhos dourados, bem legal. Pegava minha
mochila e ia em direção a Ramiro escutando Blur. Passei o dia
todo falando sobre as minhas qualidades, que era fácil de
preparar, e vinha com vários sabores que eu tirava do meu
bolso, tipo aqueles pózinhos. No volta pra casa, o LM e o James
queriam jantar e eu acordei apavorado suando pra burro.
Tenho que parar de comer esse troço.
O Everson escreveu esse conto em 2003
Minha idade mental
Vi lá na Palpiteira e fiz também.

Será??
Resultado do teste da TPM.
Arte Sepucral
Beleza onde a gente menos espera.
Essas fotos foram tiradas pelo Everson em 2004.
CLIQUE NA FOTO
Conversa pra boi dormir.
- Plaft!
...
- Ei! De onde tu caiu? Eu olhava pra cima e não via nada, nem prédio, nem casa de dois andares, nem escada, nada.
- Ei! Estou falando contigo! Não me ouve?
A criatura continuava ali no chão, olhava pro céu e não dizia nada.
Eu estava voltado pra casa, já era tarde da noite e estava cansada. Ouvi o barulho ali pertinho e fui ver o que era. Mas como que um sonho (ou seria pesadelo?) estava ali no chão, bem na minha frente uma pessoa que caiu sabe-se láde onde, sem nenhum arranhão.
- Ei! Ta machucado? Quer que chame uma ambulância?
- Qual teu nome? Ei! Responde!
Eu já estava ficando nervosa. Verifiquei o pulso, ok. Os olhos estavam abertos fitando alguma coisa lá o céu, mas eu não via nada.
Ninguém na rua. Tudo silencioso e vazio. Frio. Mas a pessoa ali no chão parecia não se importar.
- Dane-se. Pensei eu com meus botões. Deixei a pessoa ali no chão e fui pra casa dormir.
No dia seguinte, logo cedo da manhã, fui trabalhar. E parecia que nada havia acontecido. A rua ainda vazia silenciosa, fria... Só a pessoa caída é que não estava mais lá.
Não sei pra onde foi, mas também o que importa? Nem sei de onde veio!
Taro
Ela disse que previa meu futuro enquanto segurava minhas
mãos...
Eu disse que ela tinha o sorriso mais lindo que já vi...
Ela sorriu e baixou os olhos, e num repente beijou meus lábios
enquanto eu dizia: vamô se comer?
Everson Kleim
Mudanças
Quando a gente menos espera acontece.
Tudo muda de repente e a gente nem sabe direito de onde veio a bomba.
Por mais que digam que as coisas vão ficar como são, que quase nada vai mudar, não acredito. Toda uma rotina vai desaparecer, dando lugar a outra. Talvez melhor, talvez pior.
Mas não adianta querer impedir, vai acontecer, está acontecendo.
Se um não é feliz ao lado do outro, se a convivência está sendo difícil, se já tentaram conversar, se já tentaram terapia, se já não dá mais, fazer o que?
Não dá para impedir alguém de ser feliz.
Referências
Achei estranho como algumas pessoas chegam até aqui.
Teve um que estava procurando por "FIGURAS DE CIGARRO" e outro "TURMA DA MARMITA".
Que coisa!
Que bom filme eu sou?
Vi no blog da Morgana e gostei da idéia.
Pior que deu bem certinho!
Adoro esse filme!!!

Você é "O Fabuloso Destino de Amelie Poulain" de Jean Pierre Jeunet. Você é engraçado(a), original. Uma pessoa leve e maravilhosa de se conviver.
Long Silver
Carlos, nunca quis ser carroceiro,
Long Silver sim, queria ser carroça.
Carlos passava a mão no lombo do animal
balbuciando - Ê, ê, ê...
O cavalo relinchava e batia as patas,
entendia o que ele queria.
Carlos profetizava...
- É rei...
Long Silver de olhar triste mascava...
No dia da corrida, Carlos, usou dinheiro
alheio para apostar, Long Silver usava
a melhor cela.
Todos estavam prontos pra largada menos
Long Silver, que olhava para o outro lado da
cerca, pensava carroças.
Um tiro de alerta, as cercas caindo deram
início ao espetáculo, Long Silver saiu na
frente, na primeira volta já estava muito
distante dos outros corredores... Carlos
brilhava os olhos, babava e gritava - Corre
mula!
Long Silver parou de repente do meio da
pista e colocou-se a empinar tentando
derrubar o jóquei, não demorou muito,
e Long Silver pulou a cerca, saiu em
disparada pelo Cristal... subiu a Cruzeiro,
virou Mortadela...
Carlos virou Presunto.
Everson Kleim
* Postado no Ap da Osvaldo - 2003
Amarelo
Corria pelo escuro que assim se fazia também úmido. Enquanto
eles me seguiam correndo sem parar. O meu fôlego já não
suportava mais e era necessário às vezes tropeçar para poder
respirar, era aí que me tocavam. Um deles me tocou e gritou:
- Amarelo! Amarelo é a dor, a cor, o pus que dói nos meus ossos
que me apodrece Amarelo tu vais ficar como a dor. E Amarelo iam ficando os meus braços nas partes onde eles
tocavam, me derrubavam e se amontoavam me tocando. Com
muito esforço me desvencilhei e agora os pontos amarelos,
verdes pareciam e doíam. Eu corria pelos becos e gritava para
eles - Amarelo são meus dentes dessa fumaça cancerígena que
entope meus pulmões e me tiram o fôlego.
Preciso parar de fumar.
Everson Kleim
* Postado no Ap da Osvaldo - 2003
Só uma coisa.
Só tenho uma coisa a dizer: Está muuuuuuito frio!
Neste Momento 4ºC aqui na região do aeroporto.
Sem título no. 12
Quem é que gritava daquele jeito tão estridente, tão horrendo...
Fazia me pensar em um canto que eu tinha lá em casa, mas esse
era pausado e rasgado, tinha frações de escalas, mas nunca
notas completas, complexas. É, não era o canto lá de casa. Doía
todos os ossos do corpo parecendo tudo acontecer ao mesmo
tempo, mas essa dor era por dentro, a pior de todas. Doía de
rasgar a pele, de arrancar os cabelos e de coçar os dentes.
O grito me fazia a vontade de tirar a roupa e a pele, e os ossos, e
por mais maluco que parecesse, continuar a doer.
Era eu que gritava.
Everson Kleim
*Postado no Ap da Osvaldo - 2003
Tristeza
Um dia, quem sabe, eu te veja andando por aí
Nessas ruas vazias e frias.
Sozinha, vai querer minha companhia.
Não te quero mais.
Consegui me livrar de ti, pelo menos penso que consegui.
Não adianta me dizer que gosta de mim.
Eu não gosto de ti. Não mais.
Some da minha frente.
Já me acompanhou muito tempo, não te agüento mais.
Quero viver bem, e só consigo isso longe de ti.
Muito gostei da tua companhia. Muito curti nossas noites em claro, ouvindo Legião Urbana.
Mas agora isso não me serve mais.
Quero conhecer outros.
Quero ser feliz.
Quero conquistar meu lugar.
E do teu lado não dá.
Do teu lado só encontro solidão.
Adeus.
Admiro
COM O ROSTO SOFRIDO VOCÊ SEGURA
E acha que tudo não passa de uma ilusão,
embebida em vinho tinto
que toma formas no ar
junto com meu cigarro que insiste
em permanecer entre meus dedos,
enquanto te admiro
posta aos meus pés.
Everson Kleim
*Postado no Ap da Osvaldo - 2003
OBA!
Passei no vestibular!!!!!
Vou fazer matemática aplicada à informática.
Te mete hein!
:)
M473M471C0 (53N54C1ON4L)
Pra descontrair um pouco.
Sua mente é capaz de decodificar a mensagem.
M473M471C0 (53N54C1ON4L):
4S V3235 3U 4C0RD0 M310 M473M471C0.
D31X0 70D4 4 4857R440 N47UR4L D3 L4D0
3 M3 P0NH0 4 P3N54R 3M NUM3R05,
C0M0 53 F0553 UM4 P35504 R4C10N4L.
540 5373 D1550, N0V3 D4QU1L0...
QU1N23 PR45 0NZ3...
7R323N705 6R4M45 D3 PR35UNT0...
M45 L060 C410 N4 R34L
3 C0M3Ç0 4 F423R V3R505
H1NDU-4R481C05.
Sem titulo
Na manhâde domingo resolvi morrer. Juntei todos os meus pertences em uma grande mala, dei comida para o cachorro, lavei a louça e deitei-me esperando. Desejava isso, então simplemente deitei e esperei. Nunca gostei de suicídios, me sentia atraído pela morte, mas não provocada, sim expontânea. A morte era desejada por mim, então eu havia decidido morrer, era a minha hora e agora olhava para o teto deitado em minha cama, esperando.
Esperei durante o dia inteiro, estava cansado, e quando eram duas da madrugada ela apareceu. Linda, vestia um longo negro que caía até os pés, a maior beleza que eu já presenciara e agora ainda mais a desejava.
Ela pegou-me pela mão e me guiou até a sala de jantar onde tinha uma mesa posta com velas acessas. Tomamos vinho branco, jantávamos, eu cada vez a desejando mais e mais, dizia-lhe palavras doces ao seu ouvido. Seus lábios vermelho brilhantes, confidenciavam assim para mim o mais belo, dos belos sorrisos.
Aproximei-me dela e a beijei suavemente, sentindo sua boca, degustei mais um vinho e na minha descontração engasguei-me com o peixe, tossia, tentava respirar e não podia, ela via e se deliciava, eu sentia a vida se esvaindo. Sem perceber, fazíamos amor.
Everson Kleim
Boa noite.
Essa noite eu tive um sonho, que talvez minha mente tenha criado para que eu achasse uma explicação pra essa fase em que me apresneto no momento. É uma explicação meio sem pé nem cabeça, meio esotérica.
No meu sonho a minha casa estava envolta pela trsiteza. A explicação que me deram era de que havia um mulher que vivia ali e era muito triste.
Um dia ela morreu.
Não de morte morrida, mas de morte matada. Mas ela mesma foi a assassina.
Foi uma cena triste, preto no branco. Eu não estava lá, mas me lembro quase que com perfeição.
Ela morreu e continuou vivendo na casa. Continuou sentindo aquela tristeza. Continuou sendo pessimista. Continuou ali, estagnada e além de tudo sozinha.
Todos na casa eram tristes.
Não lembro muito bem do sonho. Mas eu estava lá.
Eu olhava por cima, parecia que flutuava sobre aquelas cenas. Tinha alguém me contando histórias sobre aquela tristeza, de onde ela vinha, o porquê que eu estava sentindo aquilo. Infelizmente eu não me lembro de nenhuma palavra que me foi dita nesta noite. Não faço a menor idéia do que pode ser o motivo desse sentimento que há muito me atormenta. Ás vezes, se esconde num buraco escuro, mas na primeira oportunidade reaparece e toma conta do pedaço.
É assim que é... (in) felizmente.
Quem sabe um dia eu entenda, ou alguém mais me explique e eu me lembre.
Boa noite.
A Escuridão e o Silêncio
Estava na sacada, com um copo de vinho tinto na mão. Na outra um cigarro.
Não fumava, mas havia começado naquele momento.
Apenas estava ali. Não pensava em nada, não sentia nada, só tomava o vinho e fumava o cigarro.
Sentia o gosto amargo na boca, talvez o gosto da tristeza e da solidão, quem sabe?
Não queria falar com ninguém, não queria olhar pra ninguém. Qualquer coisa ao seu redor incomodava. Qualquer coisa.
Entrou em casa, o vinho do seu copo havia acabado.
Passando pela sala, se viu no espelho grande que lá havia. Viu-se feia, maltratada, sozinha e triste.
É estranho que se sentisse dessa forma. Tinha amigos, uns estavam longe, outros perto, mas tinha amigos.
Estranhamente sentia a solidão lhe abraçando. Fria, negra, silenciosa.
Viu-se com aquele cigarro fedorento na mão, o copo de vinho vazio e foi até a cozinha buscar mais vinho.
De volta na sacada, sentou no parapeito. Sentiu o vento frio, já era noite - aliás pra ela a noite é eterna.
Não ouvia nada, nem o vento, nem os carros lá embaixo, as pessoas falando alto no vizinho, nada.
Olhou pro céu. Viu as nuvens formando desenhos. Gostava de imaginar as figuras que as nuvens formavam, quando criança achava que eram os anjos que faziam os tais desenhos. Mas agora sabia que anjos não existiam, e que os desenhos das nuvens eram formados pelos ventos...
O vinho havia acabado novamente.
O cigarro também.
Precisava sair, mas não sentia vontade. Quer dizer, sentia vontade, precisava do vinho, mas não estava com ânimo algum.
Queria sumir, deitar na cama, dormir e não acordar mais. Era isso que queria.
Talvez mais alguns copos de vinho fizesse passar...
Enquanto isso ia brincando na escuridão e no silêncio da vida.
...
Será que é assim tão fácil?
Preto
Estou escrevendo menos. Não tenho mais inspiração para escrever como antes. Além disso, também não estou com ânimo para nada.
Ultimamente estou assim - desanimada.
Sábado vou prestar vestibular, quem sabe isso me ajude a ter mais vontade para as coisas. Quem sabe!
Estou toda preto hoje. Acho que essa cor é bem o que estou sentindo ultimamente.
Espero conseguir me colorir um pouco mais...
***
Por coincidência hoje é dia do luto nacional! Que coisa...
Microconto IV
Queria gritar, mas já estava sem voz... Então chorou.
Mensagem
"Não importa onde você parou... em que momento da vida você cansou... o que importa é que sempre é possível e necessário " recomeçar."
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo... é renovar as esperanças na vida e o mais importante... é acreditar em você de novo."
Carlos Drummond de Andrade
Microconto V
Acabou o dia. Chegou em casa e foi dormir sozinha.
Contos do trem: A Marmita
O trem abriu as portas e entrou um sujeito alto, bem vestido, cabelinho bem cortado, mauricinho na última, daquele tipo que carrega uma dessas sacolas de lojas de celular ou de perfume, com suas porcarias. O detalhe era a alça da sacola pendendo para um lado, com o balançar do trem a alça começou a ceder e caiu da sacola um pote redondo que saiu a rolar pelo vagão do trem. Os olhares atentos dos passageiros acompanhavam o pote que rolava de uma lado para o outro, o trem virava para um lado, o pote ia junto e os passageiros também.
Numa hora o pote começou a rodopiar em volta de si mesmo e a tampa acabou saltando, revelando seu conteúdo, um montinho de arroz, uma porção de feijão e num canto estratégico uma coxa de galinha. Uma senhora com o cabelo esverdeado chama a atenção do rapaz. - Meu filho, você deixou cair a sua marmita!
O cara fez que não era com ele e continuou a olhar para o nada. Um senhor negro com macacão e crachá de fábrica também avisa.
- Moço, o Senhor perdeu sua marmita! Todos no vagão ficaram atentos a reação dele.
- Não é minha!
- Como não moço! Eu vi cair da sua sacola! - Indignada uma mulher com uma criança ranhenta no colo.
O cara com um sorriso amarelo - A Senhora se confundiu!Uma velha fedorenta comendo bergamota:
- Ôôôôôô... môuçoooo... Pega aí a malmita... - Não é minha, eu já falei - responde o sujeito um pouco exaltado.
- Ô Tio! Posso pega pra mim? - diz um pivete distribuindo papeizinhos.
- Moço, não precisa fazer assim - fala a faxineira do trem - pega sua marmitinha (tentando amenizar o sofrimento dele).
- Já falei que não é minha porra! - completamente vermelho e aos berros.
- Pega isso aí meu! - um boy com boné virado apontando para o pote.
- Ô meu! Já falei que não é meu, sai fora! - apontando o dedo para o boy.
Nessa hora todos estão comentando a situação e o cara não tem mais onde se esconder, de repente a velha das bergamotas começa um refrão: Pega! Pega! Pega!... E o trem junto em coro: Pega! Pega! Pega!... Até o condutor do trem no circuito interno ensaia: Pega! Pega! Pega!...
O cara desata a chorar com as mãos no rosto - Eu sou um cara da informática, eu não merece isso! Eu tenho até emeio [Pega! Pega! Pega!].
- Isso é culpa da globalização [Pega! Pega! Pega!] - com os olhos vermelhos aos berros para todos.
- O FHC fez isso comigo! Eu não mereço isso [Pega! Pega! Pega!]
- Eu já almocei nos melhores restaurantes de Porto Alegre! [Pega! Pega! Pega!]
- Vão tomá no cu! - chutando tudo pela frente. O trem acaba parando na estação e entram dois seguranças com cara de cão chupando manga...
- O guri pega tua marmita aí! - o rapaz sem mais saída ao ver o porte dos capangas resolve desistir e sai a cata da tampa enquanto os passageiros fazem silêncio acompanhando com olhares o rapaz. Mais do que depressa, ele tampa o pote e é carregado pelos seguranças até a saída do vagão, todos os passageiros começam a bater palmas para ele, que consegue na porta se livrar dos seguranças para se virar e escarrar as últimas palavras aos prantos
- Não é minha marmita! É meu potinho!!!
Everson Kleim
*Postado no Ap da Osvaldo - 2003
Frio, velho bêbado e as unhas dos pés
Descobri que preciso cortar as unhas dos pés.Elas doem quando coloco o sapato.
Levanto da cama de manhã e é aquele frio desgraçado... Vou lançar a campanha para que seja feriado nos dias frios. Que terror.
Ontem eu estava caminhando na rua, escrevendo alguma coisa no papel, não me lembro direito o que era. Alguém gritou: "Hei, tu aí!". Eu nem dei bola. Nunca dou bola quando gritam na rua. Gente louca - sempre fazendo fiasco* na rua.
Continuei andando, as unhas machucando meus dedos dentro do sapato de salto alto. Gritaram de novo. "Mas que droga!" - eu pensei. Olhei pra trás. Um velho bêbado atirado no chão com uma garrafa de cachaça na mão gritou de novo: Hei, porque tu parou de caminhar? Não estava falando contigo!.
Dei de ombros, velho bêbado e louco ainda por cima... Eu mereço.
Continuei caminhando na rua, escrevendo no papel, meus dedos dos pés doendo. Sempre que os dedos doem é porque está na hora de cortar as unha. Não sei porque não corto. Acho que é a preguiça.
Fico imaginando como faziam os homens das cavernas, não tinham como cortar as unhas, não existia a tesoura ou o cortador de unhas. Será que roíam?
Cheguei em casa. Ainda estava frio, mas mesmo assim tirei o sapato de salto alto. Pé no chão gelado. Não achei meu chinelo Havaiana... Pensei em cortar as unhas, mas estava frio e eu muito cansada. Nem está doendo tanto assim.
O papel em que eu escrevia antes nem sei onde coloquei... Deve ter caído quando procurava a chave de casa dentro da bolsa.
Azar, outro dia escrevo de novo.
* Escândalo
Grafite Urbano
Clique na foto.
Coisas que a gente não percebe nos muros da cidade.
Porto Alegre 2002/2003.
Fotos de Everson Klein, Giovani Andreoli e LM.
You kwon, I am not dead!
Caiam meus cabelos. Era contar uma mentira, espirrava e, caía cabelo. Eu lia que a guerra tava chegando, coçava e, caia cabelo. Tropeçava na rua, xingava e, caia cabelo.
Mas não eram só cabelos que caíam, as vezes caíam alguns pigmeus norgentinos também. Esses caíam no chão e já começavam a caçoar de mim, rindo e apontando. Eu não dava bola, chutava eles, ou pisava em cima, às vezes eles não morriam e ainda saíam zoando da minha cara, mas aí o mestre Jorge Ribeiro levantava aquela taça de vinho e dizia "Cê lá ví", e nas coxas das meninas...
Grande professor.
Everson Kleim
Inédito!
Mais um tema de casa...
A Elisa me indicou e eu tenho que responder né! Então aí vai.
(1) Que personagem habita seu blog quando menos se espera ?
hummm, ás vezes eu mesma, sentimento, medos...
(2) Que post ficou na espera, o bonde passou e você não publicou ?
não lembro de nenhum agora.
(3) Quando a imagem é (ou foi) mais forte que qualquer texto ?
Não costumo postar imagens... gosto mais de textos.
(4) Muitos blogueiros de carne-e-osso ou apenas virtuais ?
Maioria virtual.
(5) Se um novo batizado fosse possível, que nome escolheria (existente ou inédito) para seu blog ?
Já mudei... Idéias largadas
(6) Quando é que dá vontade de eliminar o sistema de comentários ?
Quando aparece algum engraçadinho que fica falando bobagens.
(7) Que blog (ou blogueiro), presente ou ausente, muitas vezes te traz saudades ?
Gostava de ler o Ap da Osvaldo
(8) Quem vai responder com toda a sinceridade....e boa vontade...
Darth
Drika
Malu
Claudio
Sobre o nada, entre outras coisas
Eu não gosto disso.
Não gosto de não ter mais inspiração para escrever.
Tantos assuntos para se discutir, tantas idéias para expor e a folha continua em branco.
Antes eu escrevia com lápis e papel, as coisas pareciam fluir melhor. Hoje temos a facilidade do computador e os dedos não conseguem ser tão rápidos quando o pensamento. Ás vezes até conseguem, mas não é sempre.
Fico olhando pra folha em branco na tela do micro. Os dedos querendo mostrar serviço querem imprimir o que anda explodindo dentro da cabeça. Mas é tudo sem sentido. Palavras soltas, idéias soltas...
Ás vezes não gosto do que escrevo. Pareço tão critica, tão politizada qualidades (defeitos?) que não reconheço em mim.
É estranho.
É estranho escrever e saber que outras pessoas irão ler o que estou pensando agora. Outras pessoas vão perceber o que penso, como eu penso.
E não sei se isso é bom.
Me impressiono comigo mesma. Comecei a pensar que não tinha o que escrever e quando vejo, a folha que antes estava em branco, agora está preenchida quase até a metade. Não sei se o que escrevi faz sentido para alguém, talvez nem pra mim faça algum sentido... Talvez faça.
Estou lendo o livro do Bukowski o cara escreve muito bem, consegue fazer humor (?) com ele mesmo. O que está escrito na contra capa do livro acho que resume bem o que é Bukowski seco e cético.
No mais, acho que não tenho mais o que escrever. Aliás, não tinha o que escrever mesmo antes de começar...
Fico por aqui
Sem título no. 22
Quando estudava no liceu polivalente do barão de rio branco, era muito prazeiroso cheirar o umbigo durante as aulas de técnicas agrárias com o uso da HP12C, repetidas vezes batia aquela vontade de ver o piso do saguão e lá ia eu porta afora. Sempre encontrava o xerife Agripino Xenofios, popularmente chamado de "o coxo", que ficava aguardando as menininhas tomarem água no bebedor levantando a saia. Passando por ele tentei uma saída pela direita e ele foi pra mesma, segui pela esquerda e ele foi junto e perguntou, quer dançar essa? Falei, só se for um tcha-tcha-tchá bem caprichado... Ele saiu para a "sala dos professores" pingar um colírio, fui junto pra sacar que apito ele tocava, tinha fotos do Ronald MacDonald pelado na porta do seu armário.
Everson Kleim
* Publicado no Ap da Osvaldo - 2003
O pão da Nona
Ah como era bom o pão da Nona Foi o melhor que já comi, e olha que já comi muitos pães Vinha gente de muito longe pra comer o pão da Nona, Porém a Nona fedia muito, tinha sujeira debaixo das unhas Mas como era bom o pão da Nona. A Nona cravava as unhas pontiagudas na massa deixando vários pontos pretos que ela dizia ser erva-doce A Nona ria e se babava Como era bom o pão da Nona
Everson Kleim
* Postado no Ap da Osvaldo - 2003
As Horas
Nessa sexta passada vi novamente o filme As Horas. Acho que da primeira vez que vi não tinha prestado muita atenção.
Filme muito triste, mas muito bom.
Ás vezes temos que disfarçar nosso sofrimento, nossa depressão, o que nos torna pessoas infelizes. Não sei como é com os homens, mas com as mulheres isso é bastante comum.
Como no filme, alguns pessoas têm a vida aparentemente boas, mas no fundo pensam em suicidio, pensam em deixar tudo pra trás porque não vale a pena, se sentem culpadas por algum motivo que talvez nem elas mesmas saibam.
Ninguém pode saber o que se passa na mente de uma dessas pessoas, senão ela mesma.
Por mais que se tente ajudar, falar palavras de consolo, tentando transmitir força, dizer que vai passar, que é uma fase, nada disso realmente ajuda. Vai de cada um enfrentar e mudar a forma que vê a sua própria vida, se conhecer principalmente.
Senão, precisa enfrentar horas intermináveis de tristeza e solidão na escuridão, sem nenhum ponto de luz pra iluminar pelo menos um pouco a vida.
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