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quinta-feira, janeiro 26, 2006

quando acordei

E junto quando eu acordei, pensei: há poucos momentos como este. O passo seguinte já foi o esquecimento. Simples assim, com a convicção de que o que acontece com mais freqüência é o esquecimento deste segundo, do momento em que me dou conta que houve algo que já não há. Dizem que as pessoas sonham. Dizem que o fazem todos os dias, mesmo que não lembrem. E, pasmem, há quem diga inclusive que sonhamos durante o dia, quando estamos acordados, e que este é nosso estado natural, continuamente. Há povos que consideram que os sonhos são mais reais do que o mundo onde estão; há outros que até matam em nome deles. Gostaria de sonhar, um dia desses. Não precisava ser nada especial, apenas uma imagenzinha, só para dizer que esteve lá. Por outro lado, não me faz falta, não creio que pudesse pesar nas minhas decisões ou alterasse meus conflitos. Nem me lembro, a maior parte do tempo, que não os tenho; quando ouço a palavra "sonho", logo me vem a imagem da minha avó trazendo, da padaria, sua cesta de pães e sonhos fofinhos e quentinhos. Quando vi o filme de Hitchkok (sei que não é assim que se escreve), logo vi que não devia ser aquilo. Se sonhos fossem como um teatro com figurinos de Dali, nossa civilização não teria durado tanto tempo.


 
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