escatofania
Tudo o que dEus digeriu, em seu lancinate e fugaz apetite, puxou todo o resto junto, pois sEus dentes mastigavam a essência estrutural de todos os universos imersos. Goela abaixo caiu, passou por um sistema anatômico tão complexo em relação ao nosso quanto somos em comparação às amebas, só que numa proporção elevada à potência de um milhão. E foi-se o tempo junto, foi-se a passagem, foi-se o paraíso, foi-se qualquer reclamação ou elogio que pudessem ser feitos, e foi-se a inerência coesa. Houve um só arroto. Então, silêncio. E, sem necessidade de um reservado, a excressência deu-se ali mesmo: livre de sEus intestinos, flúidos e desintempéries ornadas, espalhou-se imenso, cada vez mais, infalível, infinito, inapreciável. Depois do resto do tempo que começou sabemos, sendo nós parte daquilo que não pôde ser aproveitado. Olhamos de volta, de tão longe, para sEu ânus apinhado de fuligem cósmica e astros desgarrados da fauna do plasma mais puro, e oramos por uma boa e tranqüila decomposição. Amém.






