Frio, velho bêbado e as unhas dos pés
Descobri que preciso cortar as unhas dos pés.Elas doem quando coloco o sapato.
Levanto da cama de manhã e é aquele frio desgraçado... Vou lançar a campanha para que seja feriado nos dias frios. Que terror.
Ontem eu estava caminhando na rua, escrevendo alguma coisa no papel, não me lembro direito o que era. Alguém gritou: "Hei, tu aí!". Eu nem dei bola. Nunca dou bola quando gritam na rua. Gente louca - sempre fazendo fiasco* na rua.
Continuei andando, as unhas machucando meus dedos dentro do sapato de salto alto. Gritaram de novo. "Mas que droga!" - eu pensei. Olhei pra trás. Um velho bêbado atirado no chão com uma garrafa de cachaça na mão gritou de novo: Hei, porque tu parou de caminhar? Não estava falando contigo!.
Dei de ombros, velho bêbado e louco ainda por cima... Eu mereço.
Continuei caminhando na rua, escrevendo no papel, meus dedos dos pés doendo. Sempre que os dedos doem é porque está na hora de cortar as unha. Não sei porque não corto. Acho que é a preguiça.
Fico imaginando como faziam os homens das cavernas, não tinham como cortar as unhas, não existia a tesoura ou o cortador de unhas. Será que roíam?
Cheguei em casa. Ainda estava frio, mas mesmo assim tirei o sapato de salto alto. Pé no chão gelado. Não achei meu chinelo Havaiana... Pensei em cortar as unhas, mas estava frio e eu muito cansada. Nem está doendo tanto assim.
O papel em que eu escrevia antes nem sei onde coloquei... Deve ter caído quando procurava a chave de casa dentro da bolsa.
Azar, outro dia escrevo de novo.
* Escândalo






