Velha
Certamente isso era o que deveria ser feito.
Olhou para o céu e viu as estrelas, a lua. Sentia o vento em seu rosto.
Sentia o cheiro da noite.
Não enxergava mais. Já era velha, chamavam-na de Velha.
Seus joelhos não agüentavam o peso do corpo, precisava do auxilio de uma bengala para caminhar, ou mesmo ficar em pé.
Com certeza era isso mesmo que iria fazer.
Naquela noite ela não dormiu na sua cama, a cama da Velha.
Agora ela enxergava.
Agora não precisava mais da bengala.
Agora não era mais a Velha.
Era novamente a criança pequena e ingênua.
Magrinha, cabelos escuros e longos.
Era novamente a criança que gostava de brincar.
Foi o último suspiro da Velha antes da metamorfose.






