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sexta-feira, dezembro 02, 2005

Vi no rádio que hoje é o dia nacional do Samba. "Pelo Telefone" é o nome do primeira letra de Samba históricamente considerada. Quem diria, a Internet e o ritmo brasileiro têm algo em comum! Há uma interpretação interessante sobre o mal-do-século no mundo europeu/europeizado atual, comparando-o com o século XIX, que é o berço da razão e da loucura máximas, da tecnologia industrial, de Santos Dumont, de Freud e Jung, de Sherlock Holmes, de Jack o Estripador. Naquela época, como a sexualidade e a expressão das emoções em geral eram reprimidas, o mal-comum era a histeria, um descontrole patológico dos afetos, uma compensação à inflexibilidade generalizada da patologia social. Hoje temos, principalmente em países como o Brasil, o mito da eterna alegria; o mal compensatório, então, é a possibilidade de ficarmos quietos, em nosso canto, sendo assim rotulado de modo genérico como depressão. É a compensação pelo excesso de euforia, que vai desde uma lentidão leve até o suicídio propriamente dito. Fico pensando nas letras do Samba original, pré-Pagode (este que algumas pessoas consideram um tipo de Samba, o que discordo com muito asco), e vejo que falam de tristeza, de dores de amores, de infâmias e de problemas do dia-a-dia, de traições, etc. Aí não entendo como podem transformar a comemoração desta data em mais uma desculpa para rachar a cara ao meio de tanto mostrar os dentes em convulões frenéticas e televisivamente valorizadas. Nada contra ficar alegre com música, mas eu preferiria curtir o ritmo pelo que ele representa, com uma alegria ébria e nostálgica, uma agitação alucinada como um ritual ao redor da fogueira. Acho que isso me deixa deprimido...


 
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