De repente as pessoas começaram a flutuar ,
no inicio era meio baixinho tipo uns dez centímetros, mas aos poucos eram metros. Cada dia mais gente estava flutuando e mais alto. Menos eu. Acho que senti medo daquilo, tentei até perguntar porque eles estavam flutuando, mas de lá ninguém mais me ouvia. Eles começaram a flutuar cada vez mais alto até sumirem no céu. Eram velhinhas e aposentados no início, depois foram os "panquis" e os rastas, até que tinham executivos flutuando com seus celulares na orelha, daí já era todo o tipo de gente. Era certo, todo dia de manhã, as pessoas flutuavam. Comecei a acordar cedo para sair na rua e ver a Osvaldo cheia de gente flutuando. A vezes tinha uns que batiam nas palmeiras. Até que o inverno chegou, e começou a ventar. Sempre gostei de andar de contra o vento, me dá uma sensação boa. Eu fico caminhando lento, com mais dificuldade. Gosto dos meus cabelos balançando...
...parece que eu tô andando de moto, mas flutuar acho que não ia gostar, achei meio esquisito, fazer o quê lá? Até cachorro já vi flutuar. Parou bem em cima da minha cabeça, olhei e fiquei com medo dele mijar em mim, acabei desviando uma rua. Cada vez menos gente nas ruas, comecei a me sentir sozinho. Até que não tinha mais ninguém. Só gente flutuando, flutuando e sumindo no céu.
Everson Kleim
* Postado no Ap da Osvaldo - 2003






