Sem título no. 2
Breathe, breathe in the air, don't be afraid to care. Leave but don't leave me, look around, choose your own ground...
Quer um chá? Café? - ela pergunta atravessando a sala, nua, com uma chaleira nas mãos.
- É bonita a sua vista, e essa cidade é muito estranha, muito bela, antiga, parece que estou nos anos trinta.
- Notou as cores? Nunca vi cores assim em Porto Alegre, isso me fez mudar eu acho.- Sua voz ecoa da cozinha, junto com o apito da chaleira
- Você é feliz aqui?
- Como não poderia, só não me acostumo com o frio interminável, mas acho que é isso que ajuda a criar essas cores e formas. Já foi a feira?
- Cheguei ontem, vim direto pra cá.
- Mesmo? Saudades? - Estendendo uma xícara.
- Nunca vai saber...
- Ele sorri enquanto acende um cigarro dá uma tragada.
- Me dá um cigarro?
- Pega o meu. - Ele estica a mão e entrega, ela traga.
- Mas sério, o que tu veio fazer aqui?
- Fotos, precisava ver isso de perto.
- Bem, já esta aqui. Então...
- Você quer que eu tire de você?
- E porque não, já que estamos aqui... - Sua boca vermelha e carnuda e seus olhos brilhantes denunciam a sua excitação.
Ela começa uma performance nua dentro do apartamento de arte nouveau, ri, sorri, balança e se estende nas amplas janelas com vitrais que criam formas no seu corpo esguio, belo.
Ele retratava cada movimento do seu corpo, como se estivesse fazendo um filme, e que belo filme seria pensava consigo mesmo. Ela pulava e girava e em determinado momento jogou seu corpo sobre o dele que se caiu ao chão. Ele a segurou firme, sua respiração era densa, ela o beijou, um gosto agridoce lhe invadiu a língua, seus lábios sentiam a consistência do batom e um cheiro agradável chegava as suas narinas. Amaram-se ali no chão em frente aos vitrais.
- Então, você veio por mim?
Ele sorri.
- Pelo café, pelo seu corpo, pelos vitrais.
Everson Kleim
* Publicado no Ap da Osvaldo - 2003






