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quinta-feira, junho 09, 2005

Sem título no. 2

Breathe, breathe in the air, don't be afraid to care. Leave but don't leave me, look around, choose your own ground... Quer um chá? Café? - ela pergunta atravessando a sala, nua, com uma chaleira nas mãos. - É bonita a sua vista, e essa cidade é muito estranha, muito bela, antiga, parece que estou nos anos trinta. - Notou as cores? Nunca vi cores assim em Porto Alegre, isso me fez mudar eu acho.- Sua voz ecoa da cozinha, junto com o apito da chaleira - Você é feliz aqui? - Como não poderia, só não me acostumo com o frio interminável, mas acho que é isso que ajuda a criar essas cores e formas. Já foi a feira? - Cheguei ontem, vim direto pra cá. - Mesmo? Saudades? - Estendendo uma xícara. - Nunca vai saber... - Ele sorri enquanto acende um cigarro dá uma tragada. - Me dá um cigarro? - Pega o meu. - Ele estica a mão e entrega, ela traga. - Mas sério, o que tu veio fazer aqui? - Fotos, precisava ver isso de perto. - Bem, já esta aqui. Então... - Você quer que eu tire de você? - E porque não, já que estamos aqui... - Sua boca vermelha e carnuda e seus olhos brilhantes denunciam a sua excitação. Ela começa uma performance nua dentro do apartamento de arte nouveau, ri, sorri, balança e se estende nas amplas janelas com vitrais que criam formas no seu corpo esguio, belo. Ele retratava cada movimento do seu corpo, como se estivesse fazendo um filme, e que belo filme seria pensava consigo mesmo. Ela pulava e girava e em determinado momento jogou seu corpo sobre o dele que se caiu ao chão. Ele a segurou firme, sua respiração era densa, ela o beijou, um gosto agridoce lhe invadiu a língua, seus lábios sentiam a consistência do batom e um cheiro agradável chegava as suas narinas. Amaram-se ali no chão em frente aos vitrais. - Então, você veio por mim? Ele sorri. - Pelo café, pelo seu corpo, pelos vitrais.
Everson Kleim * Publicado no Ap da Osvaldo - 2003


 
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