Caiu o meu cu.
Eu estava dentro do trem rumo a Canoas, quando senti um vazio de repente (nordestinos) e aquilo rolou da minha bunda, saiu pela minha perna e foi se alojar no borda da minha meia de elástico vencido. Nos altos da Borges ele resolveu cair finalmente e saiu rolando ladeira abaixo, eu correndo, meu cu rolando. Pega meu cu! Pega meu cu! Gritava eu, desesperado quando ele resolveu fazer uma curva e entrar na Riachuelo em direção a andradas, tô fudido pensei eu, mas o cu era esperto e foi desviando a tudo e todos e enquanto eu esbarrava no povo.
Capa de colchão, capa de colchão... E o cu rolando pela rua da praia e saindo de cantinho pra Casa de Cultura, cu cult, parou pra ver um filme do Godard. Esperei no lado de fora, não sou estudante, e sem cu, sem meia disse a mulher da bilheteria. faca&bala disse eu meio indignado, fui tomar uns chopes pra esperar. Quando ele resolveu aparecer, com uma cara de intelectual fumando um cachimbo inglês e cultivando um cavanhaque contrastando com seu suéter gola rolêt. Dizia ele que o tal do Godard reinventou o cinema e a sociedade contemporânea nada tem de contemporâneo sob tal ótica perturbada pelo senso teocrático imposto de maioria, vai tomar disse eu. Ele falou algo sobre a libertação do Tibete e sobre o Bob Erzin, me ofereceu umas joaninhas com lsd e subiu o alto da bronze cantando "somewhere over the raimbow".
Everson Kleim
* Postado no Ap da Osvaldo - 2003






