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terça-feira, maio 24, 2005

Sem título no. 35

Meu nariz sangra, por mais que eu saiba que isso me faz mal, continuo com a cabeça baixa, dolorida, não por pancadas, por algo mais perturbador. Ouço os pingos do sangue no piso frio, a poça a se formar e o líquido a tocar em meus pés. O cheiro metálico do sangue, o quente nas minha narinas, sinto vontade de urinar e faço ali mesmo, nas calças, como se diz, aí que percebo que estou nu. Me pergunto por que faço isso, se por loucura, fraqueza ou pura desistência de tudo. Sinto a morte se aproximando de mim, ela vem com o cheiro metálico do sangue, um gosto doce e desprezível, que sinto na verdade ser a minha essência se esvaindo. Apago. Acordo, sou diferente, sou outra pessoa, tenho outra idade, outra profissão e uma família. Ainda me lembro de episódios anteriores dessa vida, não sou maluco, assim não sinto. Viro um pai introspectivo, um filho fugido, um mendigo nas ruas. Mas não vivo em paz, eles sempre vem me buscar no final, a mesma cama, o mesmo piso, o sangue fugindo, meu corpo morrendo e renascendo a cada dia, a cada hora, a cada tempo. Já não sei mais quem sou eu, a muito pensei que era alguém, hoje não tenho mais certeza. Sempre tenho a impressão que meu corpo não descansa a morte é a única saída, mas não vivo em paz, não morro, não me deixam, sou alimento pra eles. Minha mente quer morrer, meu corpo é imortal, estou preso em mim mesmo, sem direito a não existir.
Everson Kleim * Já publicado no Ap da Osvaldo - fev/2003


 
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