Preferências
Um dia ela caiu lá de cima daquela árvore.
É por isso que ela é assim, medrosa, receiosa.
Uma vez até que ela pensou em tratamento, não queria mais sentir tanto medo, ela queria viver a vida com liberdade.
Mas ela não fez o tratamento que ela tinha pensado em fazer um dia.
Continuou vivendo com medo, continuou com receio de viver com a liberdade que ela tanto sonhava.
Vai que tentasse viver normalmente, e acabasse caindo de novo. Vai que tudo desse errado e ela acabasse por se machucar outra vez.
Ela preferia ficar sozinha, preferia pensar que as coisas não seriam como ela gostaria - que tudo iria dar errado.
Ficou lá, trancada no escuro.
*****
Tinha os olhos negros como a noite.
Os cabelos escorridos, negros, brilhosos.
O seu corpo era quase que escultural.
Enfim, era linda.
Mas não se sentia tão feliz quanto deveria (poderia).
Queria correr, pular, gritar. Mas não sentia-se à vontade para realizar estes desejos.
Ela não sabia, mas poderia terminar com seu sentimento de tristeza. Poderia sair daquela redoma de vidro em que se encontrava naquele momento.
Mas acho que ela não queria.
Por mais estranho que possa parecer, sentia-se bem naquela situação.
Não sei, às vezes parece que as coisas se tornam mais fáceis de se lidar se não for tão necessário enfrentar tão de cara as dificuldades.






